Anseios de Proteção
Maldade mantém Bondade amordaçada e coberta pelo manto da preguiça
Alimenta com ingratidão aquele demônio escondido no labirinto da sua personalidade
Dotado de elegância, a Maldade tem o chapéu inclinado na cabeça e o cigarro na boca em perfeita harmonia
Defende Bondade de quem se aproxima, ameaça-os a base de tiros de revólver vir a interromper sua preciosa.
Ao entardecer senta-se nas pedras da verdade que naquele território protege
Elogia a si mesmo por toda a virtude que guarda e a esconde de todos
É convicto guardião da sobrevivência do bom e do íntimo
Até que certo dia distraído Bondade sussurra em seu ouvido:
- Você deve se libertar de mim, eu não pertenço à ninguém, eu sou você também.
- Você deve se libertar de mim, eu não pertenço à ninguém, eu sou você também.
Contam que Maldade assustou-se, correu no meio da neblina atordoado viu o galpão abandonado, entrou, ficou no escuro, sentia seu estômago retorcer, escondeu-se e fechou as janelas.
Entretanto, em seguida, Bondade a encontrou e continuou a sussurrar em volta de seus ouvidos, sentia arder seus tímpanos, estava à enlouquecer, disparava seu revolver por todos os lados, tropeçava em suas próprias pernas, continuava a tentar esconder-se, mas nada impedia Bondade.
Maldade não aguentou, baixou a guarda e suas armas, tirou o chapéu da cabeça, ajoelhou em prantos e pedindo perdão à bondade jurou nunca mais protegê-la!
Exclamou: - Nunca mais! Nunca mais!
Bondade viu afrouxar as correntes da sornice e livre passou a respirar.
Maldade chorou uma vez mais...
Enquanto escorriam suas lágrimas percebeu suas mãos, antes firme e tenaz, agora trêmulas e sujas...
Logo, com elas unidas pelas palmas, pediu perdão de joelhos por seus erros...
Enquanto escorriam suas lágrimas percebeu suas mãos, antes firme e tenaz, agora trêmulas e sujas...
Logo, com elas unidas pelas palmas, pediu perdão de joelhos por seus erros...
Bondade antes de sair grafou na parede suja:
"Reflita nos teus atos e nas palavras que transferes, permita-se aprender, em ver à mim no outro, sempre que desejar. Não saberás o quanto mal tenha sido, até que a verdade de tuas falácias apareçam no reflexo das lágrimas do outro."
